Alguma coisa acontece quando dou play
Preciso que você ative seus sentidos para a experiência do texto ser completa.
As cenas da torcida da seleção inglesa se abraçando para cantar a canção “Wonderwall” da banda Oasis, para uma geração em particular, foi difícil não segurar a emoção e alguns devaneios. Estou falando de nós, Millennials e também uma parte da Geração Z que cresceu com irmãos e primos mais velhos. Não sabemos ao certo se é a letra, a melodia, o fato de ser um clássico, ou a nostalgia em lembrar de momentos em que ouvíamos ela e outras no MP3 ou em clipes da MTV.
Nosso flashback 2000
Parece que foi ontem que se reunir com os amigos significava colocar música e ficar conversando enquanto lia uma revista ou até mesmo um blog novo na internet. Essas músicas estavam nas primeiras séries lançadas e nas rádios mais populares entre os adolescentes e jovens da época, como por exemplo: 89 FM (a rádio rock de São Paulo) e Kiss FM (disponível em São Paulo e no Rio de Janeiro).
“Gilmore Girls”, “Smallville”, “Grey’s Anatomy”, “One Tree Hill”, “House”, “Breaking Bad” e outros, foram seriados que marcaram uma era onde o analógico estava começando a conversar com o digital, e assuntos abordados faziam parte do contexto de quem assistia, entrelaçando a conexão com os personagens e as músicas.
O que foi consumido em entretenimento e arte durante os anos 2000 respinga até os dias atuais em decisões, posicionamentos na sociedade e reflexões diante da vida.
A ciência explica a dor e o acalento do som
Ouvir uma música tem mais impacto do que se pode imaginar. O som que nos atravessa, afeta diferentes áreas do cérebro nas quais funções são estimuladas, como regulação da temperatura corporal, interpretação dos sentidos, coordenação entre o sistema nervoso e endócrino, ritmo cardíaco e muitas outras associadas.
Ao dar play em uma música e lembrar de um momento específico, a estrutura profunda do cérebro chamada Tálamo é acionada. Ela funciona como uma central de retransmissão, onde guarda os sentidos captados inicialmente, e depois, volta com as memórias processadas para serem armazenadas sem tempo definido. Ou seja, você pode acessá-las sempre que combinar os mesmos sentidos, e por isso é tão rápido e significativo.
Para deixar ainda mais clara a inteligência da biologia humana: ao ouvir uma canção que já foi ouvida antes, o cérebro busca as sensações iniciais do primeiro dia. E isto, explica a sensação de saudade, alegria ou dor, dependendo do contexto em que você estava.
Os estudos da neurociência trazem evidências do poder da música em diferentes contextos e idades, sobretudo, na recuperação de memória, expressões comportamentais e de linguagens.
O gosto doce e amargo da nostalgia
Ter esse conhecimento, proporciona entender o que acontece quando damos play nas bandas “Creed”, “Nickelback”, “U2”, “Audioslave”, “Oasis” e outras que marcaram uma geração que desfrutou da despedida de viver relações e momentos offline e ao mesmo tempo compartilhou bandas e pensamentos nos dispositivos que já estavam disponíveis.
É um texto de ciência, mas como um bom leitor da Data, você vai perceber que é mais do que isso.
De olho nos dados
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