Brasileiro gosta de samba, futebol e livros

“Quem gosta de ler não morre só”, é uma frase potente do escritor e filósofo brasileiro Ariano Suassuna. E neste artigo, se você for um leitor assíduo, te traremos boas notícias a respeito do nicho no país: a venda de livros físicos obteve taxa de aumento e as livrarias físicas têm voltado com força. Com isso, é válido informar e refletir sobre como apesar do avanço digital, existem certos comportamentos que são permanentes e fazem parte de uma razão maior de ser assim entre as pessoas, como se fosse uma resistência cultural.

Inicialmente, gostaria de trazer um resultado da pesquisa divulgada em Janeiro de 2025, pela Câmara Brasileira do Livro, onde consta que 56% dos consumidores de livros preferem livros físicos na hora da compra. Isso demonstra uma preferência que vai à contramão dos livros digitais e todas as facilidades que hoje se pode encontrar. Um dos motivos que eu, autora, pude pensar é que o livro físico nos “obriga” a ficar afastados das telas, tornando-se um tempo exclusivo e onde o consumidor está 100% presente no momento e inserido na história.

Também, ser uma hora de bem-estar a sós, e quando compartilhado com outras pessoas, se transformar em uma grande ferramenta social, que introduz assuntos e levanta debates que impactam as outras esferas de quem participa.

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Fonte: suma’s world

Na mesma “estante” desse fato, está uma tendência que já está sendo estudada e compartilhada nos veículos de comunicação, que é o debate sobre o analógico ser o novo luxo emocional. Ou seja, as pessoas – de forma específica, os mais jovens – têm optado por hobbies que possam desconectar. É uma frase coloquial, mas tenho certeza que você já ouviu da sua mãe que “as coisas do passado estão voltando”. E ela tem razão!

Consumir livros físicos, ter aparelhos de música (mp3), fazer curso de cerâmica, ter um diário e câmera digital, está cada vez mais em alta, e a busca é uma só: descanso mental.

E um dos lugares onde esse descanso pode acontecer, sem dúvida, é dentro de uma livraria física. Lembro como se fosse hoje, quando vi a notícia que a Livraria Cultura ia encerrar suas atividades, devido problemas financeiros. Lembrei-me das tantas vezes que andei pelos corredores, sentei nas poltronas, e fiquei passando tempo no ambiente. Para quem gosta desse universo, foi uma profunda tristeza e também, um sentimento de desesperança do futuro.

Mas, essa mudança de comportamento e preferências apontadas, tem expandido novamente o mercado das livrarias. Embora a Amazon e outros marketplaces tenham uma grande “fatia” na venda de livros, hoje ao passear em shoppings centers já é possível notar a abertura de livrarias de volta.

Elas têm mudado um pouco o jeito de ser, por exemplo, estão mais independentes. Os acervos podem ser escolhidos de acordo com estudos de público local, e outros fatores. Muito se fala hoje sobre pequenas comunidades, e quando se olha para essa retomada é dessa forma que o mercado tem trabalhado.

Ainda é um artigo onde a reflexão não tem, por hora, uma conclusão definitiva. É mais um alívio, e um convite para analisar como o comportamento do todo, interfere em pequenos núcleos e como estes, tem se transformado em pequenas livrarias que abraçam essa retomada. Muito metafórico? Mas o tema do artigo me deu essa licença poética. Viva a leitura no Brasil!

Aqui no blog, você também encontra indicação de livros.

De olho nos dados

16% da população brasileira acima dos 18 anos comprou ao menos um livro no período de Nov/23 até Out/24, perdendo apenas para roupas, celular e brinquedos.

Gráfico com as top 5 categorias compradas pela população brasileira acima dos 18 anos que comprou ao menos um livro no período de Nov/23 até Out/24, segundo Nielsen Consumer. Sendo: roupas, celular, brinquedos, livros e televisão.

A dominância do online está mais ligada ao preço do que ao comportamento. Com preços equiparados, o físico superaria o digital.

Gráfico com a preferência por canal (online ou físico) de leitores brasileiros, segundo Nielsen Consumer. A dominância do online está mais ligada ao preço do que ao comportamento. Com preços equiparados, o físico superaria o digital.

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