Brasil no topo

Para ouvir com a leitura:

Com a Copa do Mundo, um tema se reacende: o quão incrível é ser brasileiro.

Não me entendam mal, claro que nosso país possui muitos defeitos e está longe de ser perfeito. Muito por conta do nosso passado de colônia de exploração e de movimentos de imigração e miscigenação, sempre houve um “viralatismo” sobre nossa própria identidade. Porém, há algo em nós que não enxergamos, mas que o resto do mundo observa e está cada vez mais em holofote.

Por “complexo de vira-lata” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima.

Nelson Rodrigues.

Origem do “Brazilcore”

Brazilcore, junção de Brazil com core (núcleo ou essência), é uma tendência global que celebra o Brasil pelo uso do verde e amarelo, camisa da seleção, chinelo e outros simbolismos culturais.

Antes mesmo da cantora Anitta no Coachella 2022, edições e cortes na internet ao som de funks ou dos “brazilian phonks” e até das nossas cores serem utilizadas em passarelas, virando tendência nas vitrines, sempre estivemos presente internacionalmente. Alguns dos exemplos de representação são: Carmen Miranda, samba, carnaval, bossa nova, Niemeyer, Pelé, Ayrton Senna e tantos outros que deixariam esta lista extensa.

Maria do Carmo Miranda da Cunha, mais conhecida como Carmen Miranda, foi a primeira artista luso-brasileira a alcançar fama mundial. Com seu figurino inspirado nas baianas, inovou na forma de cantar e interpretar sambas. Em meados de 1940 era a artista mais bem paga de Hollywood e sua fama lhe rendeu uma estrela na calçada da fama (1960), sendo a primeira sul americana a conquistar este feito.

Bossa nova sempre foi sinônimo de sofisticação, sendo “Getz/Gilberto” o disco que popularizou globalmente o gênero. Foi o primeiro álbum não americano que ganhou o Grammy em 1965, conquistando junto “Melhor Gravação” com “Garota de Ipanema”.

Edson Arantes do Nascimento, mais conhecido como “O rei Pelé”, foi o único jogador a vencer 3 copas do mundo (1958, 1962 e 1970), o mais jovem campeão mundial de todos os tempos (com 17 anos), 1279 gols em carreira (incluindo jogos não oficiais) e considerado o jogador do século 20 pela FIFA.

Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho é considerado um dos mais importantes arquitetos modernos por sua contribuição em Brasília (declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1987), além de quase 600 outros projetos em diversos países, sendo um deles a sede da ONU em Nova York.

Ayrton Senna da Silva foi um dos maiores pilotos da Fórmula 1 com 3 títulos mundiais (1988, 1990 e 1991, todos pela McLaren), 41 vitórias, 65 pole positions e 6 vitórias em Mônaco.

Brasil com S

Foi com o “Blokecore”, junção de bloke (cara comum) com core, em 2021, que se popularizou o uso de camisas de futebol como peças de moda casual. O visual resgata a estética nostálgica dos torcedores britânicos dos anos 90.

Em 2022, Anitta fez história por não só se apresentar no palco principal do Coachella, como também por levar a cultura das comunidades globalmente. Naquele mesmo ano tivemos a Copa do Mundo no Catar e também as eleições no Brasil, então houve um movimento de “despolitização” da camisa da seleção, que até então tinha se transformado em um símbolo partidário, e consequentemente de a vestir como forma de orgulho nacional.

Hailey Bieber, modelo, influencer e empresária norte-americana, foi uma das principais que ajudaram a popularizar este “estilo” ao utilizar a camiseta da seleção ao lado do nosso Guaraná Antártica em um foto viral. Outras influências foram a cantora Rosalía e a modelo Tina Kunakey. Mas, a consagração veio com o artigo da Vogue France em 2023 “Tudo o que você precisa saber sobre a tendência Brazilcore”.

Por fim, outros fatores como shows do cantor Bruno Mars (que contou com clipe especial da vinda dele no país), Dua Lipa (que além de curtir roda de samba em sua estadia, também montou um roteiro de melhores locais para se visitar no mundo e incluiu o Brasil), Madonna e Lady Gaga se apresentando em Copacabana, vídeos de edições ao som de nossos funks e dos “brazilian phonk” e “Ainda Estou Aqui” vencendo o Oscar de “Melhor Filme Internacional em 2025”,  também ajudaram a consolidar o fenômeno.

O molho brasileiro

Independente do debate sobre apropriação cultural ou de marcas elitistas estarem utilizando de culturas mais marginalizadas, o fato é que há uma admiração internacional sobre nosso modo de vida. Muitas culturas foram pautadas na padronização do sistema, enquanto a nossa foi derivada da “mistura”.

O “molho” vem do nosso tão famoso “jeitinho brasileiro”. É esse caos, essa imprevisibilidade que nos faz ser tão bons em encontrar soluções improvisadas para problemas do dia-a-dia. É a “gambiarra” e a “maracutaia” que moldam o nosso comportamento e porque não nosso próprio caráter e que, em meio a tantas lutas, criam uma criatividade descomunal.

O brasileiro não pergunta se é possível. Ele dá um jeito!

De olho nos dados

O Brasil foi eleito destino do ano de 2026 pela Travel + Leisure.

O Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas internacionais em 2025, segundo Ministério do Turismo. Alta de 37.1% em comparação com 2024.

O chinelo Havaianas foi o item mais cobiçado do mundo no 3º trimestre de 2025 segundo a Lyst, passando marcas como Saint Laurent, Nike e Ralph Lauren.

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