A maior biblioteca do mundo mora dentro de nós
Este artigo possui conteúdo sensível.
Aristóteles, filósofo na Grécia Antiga, disse: “A vida está no movimento”. São as escolhas e possibilidades que surgem conforme nos movimentamos ao longo de nossas vidas. O “nossas” é proposital, essa leitura chegou na hora exata, dando um abraço profundo em minha alma e que agora, compartilho com você.
Sobre “A Biblioteca da Meia-Noite”
Dentro do gênero romance fantástico, “A Biblioteca da Meia-Noite” é um livro do escritor britânico Matt Haig que foi lançado em 2020, período em que o mundo estava sob a pandemia, o que colaborou (de certa forma) para que o mesmo fosse “hit”. Isto porque muitos leitores “se viram” nos sentimentos da protagonista Nora Seed.
Nora Seed é uma jovem de 35 anos que se vê em uma crise existencial. Em todas as áreas, nada saiu como o esperado de quando ela era adolescente, por exemplo. Profissionalmente, afetivamente e escolhas pessoais, ela percebe que o tempo passou, e ela coleciona arrependimentos e não há nenhuma perspectiva de como voltar atrás.
Todo o cenário de pensamentos sabotadores, remédios controlados e situações ruins do dia a dia a levaram a tentar contra a própria vida. Porém, é a partir deste ato que o livro e a vida de Nora ganha um novo “sopro”.
Ela vive uma experiência única, conflitante, profunda e transformadora! Entre a vida e a morte, ela paira na biblioteca da meia-noite. E neste local, ela tem a possibilidade de realizar novas escolhas e realidades de vida.
A reflexão principal é que, no mundo real, essa possibilidade não existe. Tampouco, a vida perfeita e ideal. A maior biblioteca do mundo mora dentro de nós e podemos acessá-la a qualquer momento.
Doenças psíquicas e o atual cenário brasileiro
A revista científica The Lancet publicou um estudo este ano, onde mostra que a ansiedade e a depressão são as doenças que representam o maior número de pessoas com incapacidades no mundo, superando doenças cardiovasculares e o câncer.
A ansiedade, de forma específica, teve aumento de 47% desde o período da Covid-19. E isto, pode ser explicado pelo fato das pessoas estarem diante de uma realidade cheia de incertezas e agonias, tanto de saúde como também financeiras.
Aqui no Brasil, nós vivemos uma ironia. O país com a maior festa do planeta (carnaval) onde a felicidade e sentimentos leves são os ingredientes principais, também é o cenário do 2º maior número de pessoas com ansiedade do mundo.
As causas são múltiplas: pressão no ambiente de trabalho, insegurança financeira, desigualdade e violência, excesso de conectividade (comparações irreais), fatores demográficos e vulnerabilidades biológicas.
Embora atualmente exista um enorme volume de diagnósticos, o mesmo pode ser demorado, e sempre sendo necessário o acompanhamento e observação de um profissional capacitado.
A doença pode “travar” o paciente, e modifica por completo a vida da pessoa e familiares e amigos ao redor. É necessário tratamento, através de psicoterapia, remédios e estilo de vida.
Quando a arte “sintoniza” e traduz os sentimentos
O autor do livro, quando jovem, passou pelo processo. E foi abordando em histórias fantásticas que encontrou a “cura” para os sentimentos que não podia nomear.
É isso que a arte faz. Seja um livro, uma música, uma peça de teatro, uma ida ao cinema, e de repente percebemos que todos vivem sobre questões profundas e extremamente pessoais. Assuntos mal resolvidos, a esperança de poder fazer diferente.
E também, porque não, depois de muito autoconhecimento perceber que a vida atual não precisa ser “trocada”, apenas “mexida”, vista com outra perspectiva.
Este é um livro para quem tem coragem para acessar o passado, questionar o presente e refletir sobre o futuro que está prestes a te encontrar.
O ontem é história, o amanhã é um mistério, mas o hoje é uma dádiva. É por isso que se chama presente.



