Eu te amo, mas sem posts
Nós pedimos licença e convidamos você, leitor, para se debruçar por algum tempo aqui nesse artigo. Isso porque, se faz necessário interligar alguns temas, como: relações humanas, alcance digital e comportamento do consumidor. A ordem não é aleatória, precisamos cruzá-los nessa sequência. Preparados?
Já é um fato que as estruturas familiares têm se modificado nas últimas décadas, e isso ocorre no mundo todo. Uma pesquisa publicada pela empresa global “Morgan Stanley” aponta que 45% das mulheres entre 25 e 44 anos serão solteiras até 2030. Esse dado é significativo como um todo, porque ele influencia em outros levantamentos como, por exemplo, taxa de nupcialidade, de natalidade, mães solo, cargos no mercado de trabalho por gênero, dentre tantos outros que assolam e constroem a atual sociedade.
Tendo isto em mente, observa-se que as mulheres têm tido maior liberdade para optar por viverem sem um relacionamento, muitas vezes escolhendo relações estáveis que não configuram a oficialidade. E, essa decisão também é sentida onde hoje as pessoas mais compartilham as suas vidas: nas redes sociais.
Na antiga rede social Orkut e, início da expansão do Facebook, era sempre muito visível a presença de declarações apaixonadas entre os usuários, tendo inclusive as configurações para que fosse possível compartilhar e notificar quando duas pessoas oficializavam uma união, deixando de forma clara no perfil, como se fosse parte de quem estas pessoas eram. A chegada da plataforma Instagram também trouxe esse aspecto peculiar, porém, de uma forma ainda mais acentuada, porque agora os usuários poderiam compartilhar a foto perfeita do casal e família, e isso sempre gerava altas taxas de engajamento.

Mas, essas características que sempre foram tão marcantes, têm se transformado com a mudança apontada no início deste artigo. Hoje, as mulheres têm optado não apenas por uma vida mais solo, como também, aquelas que possuem um relacionamento decidem não compartilhar nas plataformas ou quando fazem é de forma discreta e quase sempre para amigos próximos.
Artigo que gerou posts virais e polêmicos
O artigo Is Having a Boyfriend Embarrassing Now? (“Ter namorado é vergonhoso agora?”) de Chanté Joseph publicado no segundo semestre de 2025 pela British Vogue, fez diversos leitores da revista refletirem sobre a atual tendência. E, o tema foi tão “polêmico” que furou a bolha e viralizou no mundo todo levantando debates, mas principalmente fazendo com que as pessoas e marcas compreendessem o novo cenário.
De forma breve, Chanté é escritora, jornalista e produtora de conteúdo cultural, político e comportamental. Em seu artigo viral, ela não afirma e sim reflete sobre as pequenas transformações de comportamento de mulheres ao mostrarem seus parceiros nas redes sociais e como isso tem impacto inclusive financeiro, quando associado a influenciadoras.
Exemplo real do novo comportamento
Aqui no Brasil, por exemplo, quando eu – autora – estava pensando sobre o tema antes de iniciar a escrita, consegui levantar um nome que consegue traduzir essa realidade: Manu Cit, empresária e influenciadora digital. De forma sucinta, sua imagem pessoal sempre foi atrelada à disciplina, organização, autocuidado, realizações, liberdade e muita personalidade. Porém, após um episódio marcado por traição em seu noivado que veio a público, por parte de seu ex companheiro, e sua decisão de continuar com a relação, gerou uma quebra de admiração entre grande parte de seus seguidores, o que ocasionou em diminuição significativa de engajamento em seus perfis, que são utilizados de forma profissional.
Esse é um comportamento muito interessante e por enquanto, bem cauteloso e observado de forma mais enfática por quem está dentro do nicho ou acompanhando essas personalidades.
Mas, marcas como “Quem Disse, Berenice”, “Vivara” e “Pantys” já têm olhado essa tendência e trabalhado em campanhas onde falar de amor, é também falar sobre o amor próprio ou até mesmo o amor em suas várias outras vertentes e não apenas conjugal.
Falar e apostar nas próximas tendências de marketing é saber e compreender a conjuntura atual do mundo e tudo que envolve a sociedade, uma conversa viva e sem pausa. Parafraseando o pai do marketing Philip Kotler “Marketing é o uso criativo da verdade”.
Para encerrar, a Data Paradise gostaria de te perguntar: você já tinha notado essa mudança comportamental dentro das redes sociais?
De olho nos dados
Taxa de solteiras estaria crescendo 1,2% anualmente contra 0,8% da população feminina dos Estados Unidos.

Em 2018, para cada 100 homens no mercado de trabalho, havia 82 mulheres.



